terça-feira, 2 de junho de 2020

Convide-se.

Antes a poesia começava no rabiscar de alguma letra, tinha um som só. 
Único do peso da mão e do papel recebedor do sentimento.
Hoje o som é de teclas, como de um piano em preto e branco.
Mal cabem cores no seu som. 

Mas no fundo do monocromático teclado, também há brilho. 
E a reza e medo.
Em tempos incertos e noites de febre. 
Em que uns se vão e outros não.
Definitivamente o sentimento da poesia não é bom.

É assustado a cada ciclo de incubação. 
Finalmente é morto, como um sim de aceitação
aos planos sabidos das deusas.
Em que uns voarão e outros sim,
hão de ficar e querer.

Antes o poema terminava feliz
no desenhar de seus caprichos.
Tinha até ponto final,
ia dormir a salvo do teclado sentimental.

Mas. o amanhã testará o suor d'uma esperança colorida. 
Afinal, nos monocrômicos olhares também cabem arco-íris. 

Distintivamente no interesse dessa poesia que quer ser boa,
há natureza relativa.
É concisa e racional a cada novo ciclo de sol.
Inicialmente é viva, um não da fé aos desígnios.
Em que uns permanecerão, mesmo tantos outros tendo partido. 

Um comentário:

REAVF disse...

Aparentemente acabaram os rascunhos com som dos teclados...

Férias

Feridas feias do mundo têm nas suas faces facas de homem. Feriados felizes em casa têm nas suas façanhas foiçes de mulher. Fechados, os Fa...