domingo, 13 de março de 2016

Soneto da Ausência.




Se não fossem esses tempos tristes, todos os dias, essa gente toda faria diferença
Mas são, e não fazem. Talvez aqui, na poesia muda eu encontre calado o alivio
que não pousa na rotina, o descanso que tesa sobre ombros e não pesa sobre os olhos,
que não finda ao dormir e nem esmorece ao levantar...

Se não fossem esses tristes dias, esse tempo todo, talvez a gente, faria a diferença,
Mas são, e não fazemos mais. Quem sabe aqui, no papel silencioso eu cure a ferida
que não cessa na tarde hora, a chaga que lateja exposta sem parecer escondida,
que não deita ao anoitecer, e nem vai embora de manhã.

Ah, que soneto lindo eu faria, todo errado na métrica, todo errado na rima,
se não fossem esses, tristes tempos, de driblar o coração,
e permanecer constante na saudade.

Ah, que soneto lindo seria, todo certa na prosa, todo certo na lira
se não fossem esses, dias tristes, de partir o coração,
de manter-se inconstantemente solitário. 

Um comentário:

Suzan Keila disse...

Se não fossem esses dias tristes, esse soneto não seria tão encantador...

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