domingo, 12 de outubro de 2008

Depois do ócio.

Eu sei que temos que preparar nossa alma. E o quanto é tolo pensar sobre isto. Sofrer antecipadamente pelo futuro, olhar o passado maravilhoso que se anuncia. Viver o segredo nessa ciranda da vida. Viver mil vidas em uma só: a vida clichê, a extraordinária, a pacata boa vida do entardecer; ouço o barulhinho das ondas, um pouco, distantes, pra lá de tenaz.
Eu não quero escrever nada de extraordinário, o não dito por ninguém. Eu não preciso de confirmações, mas seria bom, se fosse possível sentirmos. Se pudéssemos dialogar, se todos emanassem as mesmas energias algumas vezes. Esquecermos a ordem do discurso, a coerência textual, o enredo traçado, a lógica esmiuçada pelos nobres escritores. – Nem se eu estiver falando a só nesse quadro escuro, mas tarde, depois de alguns anos, eu diria o que escrevi. Porém o outro de mim sentirá o que eu digo? O que senti naquele momento? Eu tenho uma tímida certeza que você não está entendendo quase nada do que digo. – Seja simples, direto, tenha pena do próprio leitor. Eu não sou profissional! Isso que me diverte. Não tenho obrigação nenhuma de se fazer entender, nem a quero. Não, não é um desabafo. É o puro e simples ato de escrever o que vem a mente. Mesmo eu sendo incompetente, algum sentimento permeia de forma nítida as minhas ações. Eu escrevo para mim, para que essa angústia passe logo. Como saber donde vem o que nos angustia, para que saber?
Não ando tão angustiado assim, é apenas o ócio. Maldito ócio, aquele que seria a oficina do Diabo. Sim! Dele podemos criar, mas o que é que eu criei aqui me lamentando? Meus ciúmes, amores, paixões, dor, sentimentos, emoção, angústia, são apenas meu. De vocês, do que faço parte. Nem sei. O que escrevo acabo de achar uma completa bobagem. No entanto, algo necessário para me fazer bem. É como... é um segredo, uma satisfação, um gozo, um jubilo; um egoísmo social. Egoísta porque quase sempre você não consegue sentir, e social porque ponho para qualquer um ler e julgar algo que no fim se esvai para outras sensações. E eu não sou o mesmo depois disto. Sou o outro de mim, um outro conhecido.

7 comentários:

REAVF disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Pétrig disse...

Você é um "escândalo" escrevendo poeta, mesmo quando não se faz entender, meia palavra basta.

*Ficou meio gay, esse escândalo, mas é isso mesmo. Escandaloso seu texto. No melhor sentido que essa palavra possa possuir.

Carolina Dutra disse...

Um comentário bem grande pra você, ciumento!:

Autobiografia.Não, biografia.Homem.

seja profissonal!!!!
deixe a saudade,os amores..esses mosquitos que não nos largam de lado!

Esse teu post tá muito Pessoano, mas como sou transgressora, vou de Ana C. e Hilda:

"também escrevi coisas assim, para pessoas que nem sei mais quem são, de uma doçura venenosa de tão funda"

"sinto-me livre para fracassar"

REAVF disse...

Trigueiro, Uiiii! ;] valeu, depois te dou um bjo de agradecimento pelo comentário.

Carolina, vc é muito sabida. Pena que n quer comentar em nosso humilde blogg.
;/
Ah, depois quero ler essas autoras.

Quem dera um pouco de F. Pessoa.

REAVF disse...

Carol, comentar não, postar...

Carolina Dutra disse...

sabida, caro poeta, era a cachorra baleia..
hahahahahah
deixo as poesias para os que sabem escrever.....
beijo!

Anônimo disse...

cachorra baleia foi otimo!!!
kkkkkkkk

Férias

Feridas feias do mundo têm nas suas faces facas de homem. Feriados felizes em casa têm nas suas façanhas foiçes de mulher. Fechados, os Fa...