sábado, 26 de janeiro de 2019

Para quê?


Sei exatamente por que escrevia... talvez seja por isso que não escrevo mais ou escrevo menos.
Infelizmente não busco mais nada dentro do meu eu, nenhum conflito senão as obrigações do dia.
Sei que ainda existem as questões amorosas, mas ao longo dos anos elas foram tão pesadas, esmiuçadas que não tem graça dizer.  Os rompantes de paixão se foram sem que eu sinta saudade.
As aventuras são menos....  e como eu só escrevia sobre o meu umbigo, eu não escrevo mais.
Por que se eu for escrever sobre os outros, eu corro risco de ser julgado pelo tribunal das mídias digitais.  Então, para que eu faria isso? Não há motivo nem leitor... Hoje todo mundo quer ser visto. Não como são, mas a melhor representação de si. Por que eu iria mostrar minhas vísceras? Ano passado eu fiz um samba, um samba triste sobre as dores que sinto e não sinto... chegaram a cantar, mas isso, ainda que me cause alegria, não me traz contentamento. Porém, ao longo do tempo, com dores, amores, alegrias, histórias e filosofias eu cheguei um entendimento sobre mim. 
E o interessante é que o que me preocupa são os outros...  mas nada que eu possa fazer... talvez eu me surpreenda com isso, pois eu irei fazer se assim  puder. Por deus, o amor se transforma, assim como deus é único para cada um. Eu temo pelos meus.

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Quero Samba


Quero fazer um samba triste
Queria cantar a desilusão
Mas eu não sei, não sei não
Nem sambar nem cantar nem sofrer
Mentir talvez em outra situação
Menti talvez sobre o coração.
Queria falar de alegria
Mas passo longe dessa condição
Não aprendi a sorrir ao chorar
Ao sofrer e cantar a poesia
A poesia de outro coração
Sobre a mesma situação
Que é chorar, que é sofrer
Que é cantar a desilusão.

sábado, 20 de outubro de 2018

Concretismo do não poder.


Não posso controlar
Não posso controlar a poesia que urge
Não posso controlar o poema que surge
Não posso controlar o verso
Não posso controlar nada
Não posso nada
rimar.

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Pó é sinhá!


Saudade da poesia que não escrevo,
Da rima fácil que não repito,
Da corja de sentimentos esquecidos
Na prosa calada que não festejo.

Quando a saudade passar e de novo tu vieres,
Que seja breve, um pouco dura e um tanto leve
Mas venha sem mais, delongas e casos,
Seja só o desfecho de um laço.

Daí, ao inscrever-se tu na pedra, ou no papel
Seja assim: tão suja ou infiel quanto justa é a tesoura dos inconsolados,
Que corta e apara as miudezas do dia, de todas as horas
E as torna enfim a palavra presente do infinito não dito. 

domingo, 13 de maio de 2018

Diálogos noturno


Eu te encontrei no silêncio, te julguei antes de dormir. Uma sensação de vazio enquanto eu lembrava de...

Falta sentido no toque do corpo com outro corpo que não é o teu

Amor não se faz só com o sexo já que amor é afeto

Não sei o que fazer com esse povo que confunde indiferença com gentileza

Deitar e não dormir é angustiante quando noutro dia se tem obrigações, neste momento é que se sente as grades das horas apertando o tempo.

Queria eu dizer algo e ao mesmo tempo não falar, assim passei a noite toda segurando o copo, esforçando-se para ser simpática, o alívio era o cigarro.

Ela vinha de vez em quando com um lindo sorriso no rosto, dava para perceber que algo a incomodava... acho que ela sofre dos mesmos problemas  do que eu...

É cada um perdido em seu eu angustiante que os monólogos não cessam em forma de diálogos.

Sinto até saudade daqueles amigos que aliviavam suas dores ouvindo os lamentos próximos. Assim como  os velhos idosos na fila do hospital competem pelas dores do corpo, competíamos implicitamente para vê quem carregava mais consigo os males do coração.

Desconfio de quem sempre é feliz da mesma forma de quem sempre anda triste, o primeiro deve ser lunático, o segundo amargurado. Ambos têm uma noção de realidade mediada por esses sentimentos definidores.

 Ele tinha tanta insegurança que se portava como um soldado em vigília, um tiro no primeiro susto, vinha com uma autoconfiança forçada no acerto do primeiro alvo.

Ela me tratou tão bem na última vez que a encontrei, parecia um pedido de desculpa pelo passado e pelo futuro. Depois disso, eu nunca mais a vi.

Agora com o tal de lugar da fala todo livro terá que ter a quantidade de autores similar ao número de personagens.



sexta-feira, 27 de abril de 2018

Te mar e ilha.


Na angustia de quem ama, sofrimento não faltará
Serão rimas intermináveis, poemas imensos.
Idílicas odisseias de insegurança e medo. 
a saber: rios inteiros de solidão.
De quem vive, resta pouco
A consciência de si, tranquila no mar agitado
Revoltoso e revoltado. 
E na nossa casa se minha poesia falasse, 
ela gritaria teu nome n’um vale espaçoso, 
cheio de ecos de mim.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Queria eu?

Queria eu orar ao tempo como se ele fosse o deus mais lindo
Queria eu saber do tempo que vai além da minha memória
Queria eu fazer paralelos e círculos com todas as histórias
Queria eu ficar sem ter que ir nem voltar, mesmo seguindo.
Queria eu não querer e nem ter tempo para o que eu sinto
Queria eu, eu te digo, esquecer de rememorar o infinito
Queria eu não ser quem eu sou e ser quem não vou ser
Queria eu ser orgulho e acreditar em tudo que eu fiz
Queria andar sempre conhecendo novos horizontes
Queria eu não lembrar de ontem e não morrer aqui.
Queria eu desenhar o teu rosto
Ao desenhar, aos poucos
poesia no papel.
Queria eu quebrar toda essa linearidade temporal que eu vejo cair do céu.
Queria eu não querer saber de mim
Queria eu fazer de tudo por outro alguém
Queria eu não escolher sempre a minha proteção
Queria eu ser mais abrigo do que desolação
Queria eu não ser coisa objeto de alguém
Queria eu não consumir
Queria eu não lembrar de digerir o que o tempo não deixou
Queria ser, pois pronto, ser  o que sou
Queria gostar de ti aqui perto quando gosto de você longe de mim.
Queria não querer tanto silêncio em meio ao caos
Ouço música violenta em cada coração
Queria não orar ao tempo como se ele não fosse finito
Queria eu  fazer milagres sucintos
Queria eu deixar agora de escrever, porque de todos os quereres o que eu quero eu minto.

sexta-feira, 23 de março de 2018

Receita de desejo abafado.


Junte palavras mordazes à erros infantis,
Descasque um dente de dor e leve ao fogo.
Deixe queimar, torre as desculpas e esturrique a carne.
Insulte os ingredientes do perdão e os remexa bem.
Misture cascas de raiva e lembranças ruins
Refogue o medo e pique os sentimentos verdadeiros.
Sirva com um cálice de saudade e estará pronto.  
Agora é só engolir o choro.

quinta-feira, 22 de março de 2018

O vivo–morto


Essa noite eu não sonhei.
Ela estava comigo.
Mas, mesmo acordado,
eu sabia que parecia só um sonho
e que eu na verdade era só ...

Na madrugada,
por volta meia-noite
tinha cigarros,
tinha bebida,
e o silêncio
e a realidade em que me pus.

Como alma
Ando aparecendo fraco e faminto por ai
Acerto os passos que erro.
Que horas são?
Busco esconder minha dor.
Não esqueço o passado
e os amores que não foram.

O tempo da vida está em mim
e mesmo zumbi,
meu coração parece bater
no corpo de um vivo-morto,
dai, vou sendo um homem de trinta
e amando uma mesma mulher. 

sexta-feira, 16 de março de 2018

O morto-vivo.

Essa noite sonhei
que ela voltava p’ra mim.
Mas, mesmo dormindo,
eu sabia que era só um sonho
que se sonha só.

Acordei na madrugada,
eram por volta das quatro
não tinha cigarros,
não tinha bebida,
só o silêncio
e a realidade em que me pus.

Como alma-penada
ando fraco e sem fome
erro os sapatos dos pés,
Não sei que horas são.
busco não esconder minha dor.
Lembro o passado
e tantos amores que se foram.

O tempo da vida deu um tempo em mim
e sou agora um zumbi,
e como o morto vivo
na lira dos vinte anos:
“Acordei da ilusão, a sós morrendo”.

Férias

Feridas feias do mundo têm nas suas faces facas de homem. Feriados felizes em casa têm nas suas façanhas foiçes de mulher. Fechados, os Fa...