segunda-feira, 30 de setembro de 2013

O nó é mais firme que o laço.
O laço é mais delicado que o nó.
Tentando desatar-se, aquele, pode apertar demais...e cegar!
Já este, desvencilha-se como num desfecho de conto... um desenlace!

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Creia



Não quero de modo algum de atingir
nem fugir das minhas próprias sensações;
mas, se palavras são navalhas, faço silêncio,
não sou eu que vou lhe ferir.

Logo, deixe-me assim como se deve,
cabeça a mil num sorriso leve.
Eu não posso lhe seguir, não.

Já coisas de amor eu não posso entender,
pois, na prática, não cabe à filosofia.

E se me perguntar pelo amanhã,
só posso dar-lhe uma abraço
e, talvez, falar de um novo dia.

Um novo dia que eu não sonhei
na noite em que dormi.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Parque ecológico.

Embarga, desembarga!
Elimina a liminar!
Pêia! Chama a pol... a guar...!
Chama o ladrão Chico!
Chico? Corre que O cocó tá caindo!

Poesia cotidiana.


Quero morrer sufocado num beijo seu,
Árduo e continuo, que pode até ser no nariz.
Um estalo, ou onomatopeia qualquer que rimaria aqui fácil.
Com teu beijo velho e insalivar, que mata e sufoca-me, quero apaixonado perecer.  Assim! Desaparecer cheio de planos ao teu lado, e só ir.
Sim vagarei, penarei como alma a eternidade, recordando póstumo e feliz quiçá,

a vida que vivi contigo, e os prazeres que passei do lado teu.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

De leve

Ah, eu estou apaixonado,
a cada dia e a cada horário.

por aquela que fica 
por aquela que passa,
pela vida.

Porém, me desculpe,
mas que coisa linda
é a mulher de atitude.

chega, estremece
deixa bambo 
faz pensar, meio malandro.

No entanto, nesse arranjo,
ela sabe para onde ir.
Chega no jeito,
faz aconchego antes de partir.







domingo, 7 de julho de 2013

Mergulhos

Já gastei tantas palavras e de fato nada dizendo que hoje quero gritar tantas coisas que nem lembro. São coisas sobre o mundo, a vida e, sobretudo, o amor. Porém, nos rearranjos que passo, eu sigo num barco navegando num imenso mar. Hora metáforas, muito embora palavras no silêncio de uma manifestação. Os açoites e as carícias constituíram um ser além das feições. Apesar de compartilhar convosco, sou eu quem ouve, depois de pronto, o meu recado escancarado num mural virtual. E o prazer que sinto em saber que a mentira do poema é a verdade que busco diante de mim, traz-me satisfação. Porque, na verdade, eu busco preencher as palavras com os sentimentos ininteligíveis, e a merda é que escrever é uma racionalização. Na verdade, esse imenso mar que navego, no qual posso me afogar, é só a superfície de todas as maravilhas das quais eu posso encontrar.

Ah, viver na superfície para ser visto é a mentira sistemática do mundo. Ou se  mergulha ou o  eu é só o  que existe. Viver é muito mais do que ser prático...  é   ir até onde acaba o fôlego, gritar e não conseguir; é voltar pedindo ajuda ou não, pegar ar e seguir novamente em busca. Viver não é material, o material é perecível. A vida, apesar de momentânea, é eterna. Algo raro como um amor solidificado. Acho que vivemos ¼ de toda nossa existência por que compartimentamos tudo. Dizem: esse é o momento, quando na verdade só é a oportunidade. E a oportunidade de mergulhar, se conseguirmos, tem de ser agarrada com todo o fôlego do ser, porque mergulhar é maravilhoso, entretanto alerto: perigoso é emergir.

Viver não é fácil e não é para todos. Para estes que não conseguem inventaram os espetáculos e os espetaculares. São projeções de vida e de seres. Também inventaram a mentira e a arte, não a mentira do sistema (onde possa ser verdade) como afirma Pessoa, “mas a verdade de um poema ou de uma novela - verdade em saber que é mentira, e assim não mentir.”. Deixamos cada qual com o que o corpo suporta (pois a alma suporta tudo, o corpo é que não resiste), cada qual com o seu fôlego de vida. Mas que estes não venham limitar quem almeja águas mais profundas. E que estes saibam respeitar a partida e o retorno dos mergulhadores.

Ao mergulhar em busca do amor
Toda as vezes faltou-me ar
Sempre o  dito afogou-se
E eu emergi trazendo marcas
De um amor que pensei que fosse. 


quarta-feira, 26 de junho de 2013

Desejo e fantasia
embalados em minutos.

Minutos disfarçados de segundos.

Segundos maratonistas
aliados ao tempo
tramando um despertar desagradável...


Um ar distinto
contrariava a natureza...


Possuidor de cheiro e cor...

Foi instinto e só.

O cheiro, a cor, o vento, o tempo...

Uma conspiração sem fim.

Você estava lá.

Eu estava lá.

Desejando não desejar...

E desencantadoramente...

O cliente, o sorriso, a fila, o olhar, o caixa, as palavras sem ensaio...

O despertar!

sábado, 15 de junho de 2013

Milho.

Me melhorar
não é questão de ser,
é de sentir,
pois sem ti,
não sei ser melhor que uma espiga
um espantalho,
que espanta o medo,
e com medo do que virá,
de ficar sem êne nenhum,
do meu amor, será! ?
São:  Joãos! todos por ti!

terça-feira, 11 de junho de 2013

Metade

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

Oswaldo Montenegro

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Dispersão

Nego
o ego
que fere.
Ergo-me!

Ao dormir,
 não sonho,
esqueço.
Quando acordo,
 esmoreço.

Ah, a vida é ação.
Não, não decepe
Ação.
Corra cora
Ação.

 Ali,
 vivi-se sem mandar recado
Aqui,
jaz um sonho decapitado...

Atirando-me
me tira
de toda mentira
que se faz ilusão.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Encontro em Sampa



Veloso: "o sol se reparte em crimes
espaçonaves, guerrilhas
em cardinales bonitas
Eu vou..."

Bel:  "Veloso o sol não é tao bonito pra quem vem
do norte e vai viver na rua
A noite fria me ensinou a amar mais o meu dia
e pela dor eu descobri o poder da alegria"

Veloso: "ela pensa em casamento
e eu nunca mais fui à escola
sem lenço e sem documento,
Eu vou..".

Bel: "em cada esquina que eu passava
um guarda me parava, pedia os meus documentos e depois
sorria, examinando o três-por-quatro da fotografia
e estranhando o nome do lugar de onde eu vinha."

Veloso: "por entre fotos e nomes
Os olhos cheios de cores
O peito cheio de amores vãos
Eu vou
Por que não, por que não.."

Bel: "a minha história é ... talvez
é talvez igual a tua, jovem que desceu do norte
que no sul viveu na rua
e que ficou desnorteado, como é comum no seu tempo
e que ficou desapontado, como é comum no seu tempo
e que ficou apaixonado e violento como, como você
Eu sou como você. Eu sou como você. Eu sou como você
que me ouve agora."

Veloso: "Por que não, por que não...
Por que não, por que não...
Por que não, por que não...
Por que não, por que não..."

Férias

Feridas feias do mundo têm nas suas faces facas de homem. Feriados felizes em casa têm nas suas façanhas foiçes de mulher. Fechados, os Fa...