quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Sinceramente, prefiro as palavras não ditas...


Acordado, sem matar o desejo, na madrugada, eu procuro os sonhos. Existe anseio pela vida que o espaço não traz. Assim, a cada dia mais preso ao lugar de conveniência, os sonhos passam por trás de uma cortina leve. Quanto mais fixo, o mundo se distancia. Eu estou entre eles, porém, cada vez mais, estou dentro... Penso que quando faltam ações contínuas, você se volta para si. Ou se volta para o descanso de sentir a pulsação da natureza. Isso se não estivermos abatidos, pois se, nos voltamos para televisão.  Ando meio avesso às críticas e as reclamações. Vejo com clareza a mediocridade. Acho que esse é o patamar dos nossos gênios atuais. Por isso, prefiro os simples, aqueles que lutam os que não julgam os que seguem sem afirmação.  Falar anda difícil, desculpe-me, falar não é um verbo em movimento. Falar é um verbo de ligação. Ouço o silencio esperando ser salvo pelo amor. 

domingo, 5 de agosto de 2012


Cansaço de alma
transformado em poesia.

Grito da alma.

Tristeza materializada,
outrora abstrata...

Sabe
         DOR
                    ia

Sabe DOR?
                     ia...

                         
Foi!

Dorme o riso
e as lágrimas velam seu sono...

Dorme a fantasia
e a incredulidade assombra sua noite...

Dorme a menina
sem sonho, sem fé, sem fantasia...

Amanhã,
quiçá,
o riso acordará
vestido de fantasia
saracoteando
nos sonhos
da menina
de fé.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Trovador errante.


Essa alvorada serei vento,
e soprarei o chamado frio da natureza.
No inverno que corre lento,
e vem atento despertar teu leito.

Na manha seguinte, serei fogo,
queimarei tuas vilas, e cidades,
restará só cinza de teus lares,
um fio miúdo do teu grão,
 uma vaca magra a agonizar!

No fim da tarde arderá teu sangue e filhos
e na noite fria de então, serei a Morte,
e te farei a cama... e servirei teu chá.

No caminho p’ro leito eterno.
Te envolverei em lençóis bardos,
que riscaram infernos tristes,
e céus amenos e
somar-se-ão a ti, 
fantasmas e lobos famintos.
Naquela mesma madrugada
sereis livre para vagar no infinito dos teus sonhos.

sábado, 7 de julho de 2012

Sambabom




De tristeza, nessa noite nada tenho,
sinto só o vão pretérito,
como um vento,
que vem vindo lá de longe
assobiando o futuro incerto.
Sei ao menos, no entanto
que o caminho é curto,
e que o destino é lento,
e que longe são meus passos...
sem os teus pra caminhar, 
tão solitários, são só enlaço,
de um falso eu a exaltar.
Mas que só vão ao teu encalço
p’ra inflamar nossa união.

Guarda contigo uma saudade,
um abraço, uma amizade,
um barzinho, um violão...
Vem ! Vamos embora,
essa é a hora:
vai sambar meu coração...

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Teu


Sou todo teu:

A pele, o seio substância

O meu corpo, o teu

Nuca, o meio de ser

Crua, tua nua paixão

Amor carne e fé

Sou todo o teu amor

Sua distração de mel

Mete fé e não esquece mais

Sou o teu todo substância

A pele do corpo seio meu

Nua paixão tua crua fé

E carne no amor

Toda distração fiel.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Feita de neve


Quão sincero é teu olhar
quando me fita atravessado
e rancoroso, de ninar e de dar dó?
Quão robusto é teu pesar,
quando me queixas a vida
escancarada,desiludida?

Quanto tempo nos é dado juntos,
esquecido no vai-e-vem calmo
dos teus quadros e quadris,
 um a um, a se postar sobre mim?
Que distúrbios provoquei na tua sina,
a tentar desvairado e louco
sussurrar compreensivo,
canções de amor nos teus ouvidos?
Quantas coisas quis sonhar, na tua alma,
acordado em si mesmo,
no áspero dia-a-dia que passa pesado,
denso e camuflado, quando não estas. 
Dias de esperança e de razão?
Quantos “ais” quis te dizer, e não te disse?

E me calando, fui sorrateiro
compreendendo corpo e faces,
mil disfarces da tua harmonia,
entendendo a graciosa e cálida
forma do teu sorriso. 

domingo, 17 de junho de 2012

Hoje

Eu não consigo fazer o que eu devo, porque realmente não desejo, eu quero um pouco de prazer. Não no exato momento que eu espero, mas na obrigação de ser racional.  Ser bem feito exato mistério nas ilusões que vão me servir;  prazer sem coma, sem dano sincero, sem o eu gritando por mim.
Eu não posso morrer por dez segundos esperando viver um pouco mais. Só por que agora é o tal do momento ideal, eu não preciso ser capaz de matar minhas ilusões. Não sou mais o prazer que sempre quis. Eu já me conheci na minha solidão. E minha solidão espera por ti.

sábado, 2 de junho de 2012

Oração.



Cadê a poesia de todos os dias,
Onde estará? Aonde foi parar
o amor de todos nós, unido,
semi-puro, selvagem,
 natural, intrigante.
Será que passou? Que irá passar?
Quando os dias são estranhos
e os sentimentos confusos
lembrem-se das voltas
que nos trazem a tona
de novo, p’ra rota
de nós mesmos,
do nosso oriundo
profundo,
do que
somos
em essência:
herdeiros dum tempo que
nos é dado;
prisioneiros da fortuna
incerta de um dado
 girando, rodopiando, compondo-nos
meros acúmulos
de  comiserações
e que seguem a diante,
vivos,
erguendo-se firmes e bambos,
todos os dias,
findando nosso particular hedonismo
 na busca espiritual
de sermos humanos.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Um dia quase.


Não, não tente me enojar de ti,
com teu jogo quase limpo,
quase sujo,
quase torpe,
igual a tudo que um dia detestou.
Não o faça! Não queira ser o que fui,
quase fraco, quase bêbado,
quase só,
igual a tudo que um dia detestei.
Mas, contudo, se fizerdes e quiserdes,
quase não magoar,
quase não destruir
o quase pouco que temos,
que somos, e fomos
faz rápida,
por que quase me sangra
e quase não dói.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Rotineira.

Nesses dias vazios,
quietos e distantes de ti,
tudo parece silencioso,
uma hora parada no tempo,
como um encanto torpe de nada,
um passe de mágica,
e tudo pára,
e eu fico pensando em você ...

Férias

Feridas feias do mundo têm nas suas faces facas de homem. Feriados felizes em casa têm nas suas façanhas foiçes de mulher. Fechados, os Fa...